A tomada de decisões desempenha um papel fundamental na vida das pessoas: quanto mais eficaz for esta competência, mais bem-sucedida será a pessoa. Na secção sobre factores favoráveis à produtividade escrevi que é crucial ter vários cenários (planos) de acção — perdoai a tautologia. Conceptual e globalmente, esses cenários podem perseguir os mesmos objectivos mas ser alcançados por caminhos e em tempos diferentes, tendo em conta nuances que, como supões, podem surgir com alta probabilidade num dado ano.
Continuando o tema do planeamento multissenário do teu ano, vale a pena mencionar a abordagem conhecida como tomada de decisão probabilística ou pensamento probabilístico (no contexto das decisões). Por tradição, recorro a um livro para uma citação que, na minha opinião, explica muito bem a essência do pensamento probabilístico. Neste caso é "Smarter Faster Better: The Secrets of Being Productive in Life and Business":
Isto é pensamento probabilístico — a capacidade de manter várias possibilidades conflituosas em mente e avaliar a sua probabilidade relativa. "Não estamos habituados a pensar em vários futuros", disse Barbara Mellers, responsável pelo Good Judgment Project. "Vivemos apenas numa realidade, por isso imaginar o futuro como um conjunto de possibilidades pode ser incómodo, porque nesse caso somos obrigados a pensar em coisas diferentes, incluindo as que esperamos que nunca aconteçam."…
Qualquer que seja o método que escolhermos, o objectivo é sempre o mesmo: ver o futuro como um conjunto de possibilidades, não um único desfecho predeterminado; estabelecer o que se sabe e o que não se sabe, e encontrar a opção que oferece melhores probabilidades. Prever o futuro não é realista. Ninguém pode prever o amanhã com absoluta certeza. Por isso algumas pessoas evitam fazer quaisquer previsões: o desejo de certeza é demasiado forte e o medo da dúvida insuportável.
O objectivo do pensamento probabilístico é ensinar as pessoas a transformar o pensamento intuitivo e analítico em probabilidades estatísticas e a trabalhar com elas. A teoria das probabilidades, apesar da sua aparente abstracção e distância da vida quotidiana, é uma disciplina extremamente precisa. Já é mais exacta e fiável do que as previsões de adivinhos ou astrólogos.
Quanto mais sabemos, mais precisas se tornam as nossas previsões. No entanto, muitas vezes no momento do planeamento não temos acesso a toda a informação necessária. Isso significa que parte dos dados só os obteremos depois de elaborar os planos. Por isso, ajustar os planos à medida que chega nova informação é uma prática normal e correcta. Planeio dedicar mais atenção a este aspecto no próximo livro. De certo modo, tanto a elaboração de vários planos como o seu ajuste chamam-se abordagem bayesiana. É um método de análise estatística baseado no teorema de Bayes, que permite actualizar a probabilidade de uma hipótese à medida que chegam novos dados. A abordagem bayesiana é muito usada em economia, estatística, aprendizagem automática, programação e outras disciplinas. Então porque não aplicá-la também na vida pessoal?