Fadiga

Aleksandr Shitik
Aleksandr Shitik

Escrevo meus próprios posts e livros, e faço resenhas de filmes e livros. Especialista em cosmologia e astronomia, TI, produtividade e planejamento.

Fadiga

Faz sentido o capítulo sobre fadiga vir junto ao do sono e vigília: a fadiga a curto prazo combate-se melhor com sono, ao contrário da longo prazo (ou acumulada), que pode levar a depressão e burnout — e as formas de a combater são outras, por exemplo férias.

Neste capítulo alargamos um pouco o tema anterior do ponto de vista do sono e falamos da fadiga. Pode ser um tema óbvio, mas para alguém será útil.

Aos 20 gostava de ficar até às 3 da manhã a estudar ou trabalhar. Agora limito o trabalho e estudo nocturnos no máximo à 1h, embora raramente me permita ficar bastante mais. O que mudou em 10 anos e por que deixei de estudar e trabalhar tão tarde? Primeiro, o meu corpo tem mais 10 anos e é-me mais confortável deitar-me à 1h no máximo, não às 3. Imagino que daqui a 10 anos me seja confortável deitar-me à meia-noite. Segundo, o leitor atento terá notado que aqui se fala de estudo e trabalho, não de ver filmes ou fazer puzzles.

Dividiria as tarefas em consumidoras (ler um livro, ver uma série ou futebol, estar nas redes) e geradoras (escrever código, escrever um livro, carregar e descarregar a carrinha, até limpar o apartamento). As consumidoras são sobretudo mentais; as geradoras podem ser mentais ou físicas. Escrever código é sobretudo mental; carregar a carrinha também é gerador — no fim tens a carrinha cheia ou vazia, és criador. Fica a ideia: consumidor = sobretudo mental; gerador = mental ou físico.

Imagina: é meia-noite ou quase. O teu cérebro trabalhou muito e sentes um pouco de cansaço. Podes escolher: ler um livro, ver um vídeo, lavar a loiça. Qual escolherias?

Não há uma resposta certa única — ou não nessa formulação. A pergunta é demasiado abstracta; deixei-a assim para ver cada opção com mais pormenor.

Condição: já é tarde, estás um pouco (ou mais) cansado. Primeira opção: ler um livro. É consumidor, logo mental. Importa que livro. Se é material de estudo, não o leias a esta hora — o cérebro não o assimila tão bem como de dia ou após um descanso, mas não logo antes de dormir. Diferente se for um romance de aventuras: entretenimento. Esqueceres daqui a uns dias o que leste nessa noite não tem mal. Com material de estudo queres reter; com a cabeça cansada e com sono retém-se pior. Segunda: ver um vídeo. Mesma lógica. É entretenimento/relaxante ou formativo? No primeiro caso via; no segundo, não. Há quem diga que não se deve ver vídeos nem usar telemóvel e portátil um par de horas antes de dormir. Pode haver algo de verdade, mas usamos só como exemplo. Se falamos do mal dos ecrãs antes de dormir, o problema principal é a luz azul; pode perturbar o sono. Mas resolve-se com apps que filtram o azul à hora de dormir. Tenho uma mas não me parece muito eficaz. Terceira: lavar a loiça. Também não é preto no branco. Por um lado escrevi na secção de tarefas domésticas quanto tempo devoram e que há que automatizar o que se possa — assim podias pôr a loiça na máquina (se tiveres) e usar o tempo noutra coisa. Por outro, lavar a loiça é uma tarefa geradora física (não mental) que podes fazer cansado e com sono, por isso podias fazê-la antes de dormir.

Em resumo: não planees trabalho sério, sobretudo mental ou intelectual, quando estiveres cansado. O cérebro e o corpo fazem com que antes de dormir ou com muito cansaço a eficácia das tarefas consumidoras mentais e até de algumas geradoras físicas seja bem menor. A eficácia está no centro da produtividade. Planear o dia com isto em conta. Não planees nada mentalmente exigente antes de dormir, não estudes antes de dormir e também não faças trabalhos físicos responsáveis antes de dormir. Planifica o dia bem e com eficácia!

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